
O tema mais batido, talvez. A palavra mais banalizada, seja nos livros, nos filmes, nas músicas, nas novelas (...) é bem verdade, mas vejo o AMOR como algo transcendental. Como diz Ana Carolina “O amor é mais que isso, o amor talvez seja uma música que eu gostei e botei numa fita" E é exatamente assim que penso. O amor precisa ser sentido das mais diversas formas. Exemplifiquemos.
Quando eu tinha 11 anos eu gostava de um menino que morava na minha rua, eu ficava dia e noite me imaginando casada com ele, com filhos e tudo, pois eu achava ser ele o amor da minha vida. Passado alguns dias, ele brigou com meu irmão e o machucou. Eu queria que esse menino morresse e queria ter ido dar um monte de pancada nele. Ele tinha ferido nada mais, nada menos, que o meu irmão!!! MEU IRMÃO! E foi aí que eu percebi, pela primeira vez, a diferença entre amor e afeto. Eu sentia um afeto por aquele menino que se acabou exatamente onde começou o amor (por meu irmão).
A segunda experiência foi aos 16 anos. Eu estava loucamente apaixonada por um professor meu. Nossa, eu ia para todas as aulas dele, queria sempre tirar a melhor nota da sala, queria de alguma forma brilhante chamar a atenção dele. E, querendo ou não, ele percebeu minha “significância” naquele momento, o suficiente pra eu achar que meu sentimento era recíproco. Escrevi uma carta (com o dicionário do lado! hehehe) contando sobre o meu sentimento por ele, queria escrever os termos mais cultos (afinal de contas, ele era professor de literatura!) e impressioná-lo com a carta, pois achava estar expressando nela todo o meu “amor”. E, pra minha frustração, ele tinha uma noiva que estava grávida dele! Bem, dessa vez demorou um pouco mais pra eu esquecer porque pela primeira vez eu tive que trabalhar com outra questão crucial da minha vida: o orgulho! E uma coisa muito, mas muito boa, engendrou tudo isso, ele me presenteou com um CD (prêmio de consolo) da Marisa Monte!! O recém lançado da época “memórias, crônicas e declarações de amor” que veio se tornar a minha grande base musical futura, haja vista meu amor incondicional por essa cantora.
Pensava com meus botões: “Se eu morasse na China, o amor da minha vida estaria lá? Se eu morasse na Arábia, o amor da minha vida estaria lá? Quem sabe o amor da minha vida nem esteja aqui nessa cidade...” Foi aí que o destino me pregou uma peça: me fez encontrar a pessoa que se não amor, mais próxima do amor me fez chegar. O mais engraçado de tudo é que eu fui receosa dessa vez, eu quis deixar passar um bom tempo pra saber se não era como das outras vezes, uma coisa aguda, efêmera, empolgante e curta. E quanto mais o tempo passava, eu sentia que era ele. E o destino, ironicamente, me afastou dele. E com o afastamento, o óbvio (tomando como base as outras vezes) era que eu fosse esquecendo aos poucos até que alguém mais interessante ocupasse o lugar de “novo amor da minha vida”. E eu estava redondamente enganada. Eu não conseguia esquecê-lo. E por mais remoto que fosse eu ter notícias dele, eu alimentava a esperança de poder encontrá-lo de novo e, dessa vez, falar tudo o que eu sentia. Nem que fosse pra aliviar aquele aperto que eu sentia toda vez que ouvia falar nele.
E eu tive a oportunidade de fazer isso antes do que eu imaginava. Foi tudo minuciosamente “conspirado” por mim. Esperei uma data propícia, e fiz a ligação propícia que deu início a tudo. E pela primeira vez, de verdade, eu pude vivenciar um afeto incomensurável, que eu já não chamava mais de amor nessa época. E eu vivenciei um sentimento dignificante por longos 4 anos. E com isso eu passei a me conhecer melhor e saber que o que eu não gosto numa relação é o compromisso, a cobrança, o “grude” como dizem, as coisinhas formais que, mais cedo ou mais tarde, estragam tudo. E talvez seja por isso que até hoje, esse tenha sido o melhor relacionamento que tive (ele sabe disso e é recíproco), seja pela sinceridade, sem cobranças, leveza e/ou satisfação com que conseguimos levar. E mesmo que nossos caminhos tenham perdido o vértice, eu sempre o terei em grande estima por ter me mostrado que o “amor talvez seja uma coisa que até nem sei se precisa ser dita”.
Queria eu ter o poder de trilhar as coisas. Queria eu ter o dom de eternizar as coisas boas da vida. O máximo que eu posso fazer é eternizá-las em pensamentos e saudades, aliás, a gente só sente saudade do que é bom ou de quem a gente gosta. E essa é a maneira que eu encontro para reverenciar os bons sentimentos e as pessoas que compartilharam comigo. Refiro-me em especial, ao afeto pela história e pela pessoa a pouco mencionada.
Nesse ínterim, eu posso dizer que tenho experimentado todas as faces distintas que um AFETO pode ter. E acho isso bom, da mesma forma que acharia fastidioso se fosse tudo igual. Um namoro curto, intenso e ao mesmo tempo frustrante. Uma amizade “colorida” agradabilíssima e especial sempre presente nas horas certas. Um monte de “enche lingüiça” pra passar o tempo. Uma paixonite aguda aqui, outra acolá. E uma inflexível despretensão de compromisso. Reiterando o que já foi dito anteriormente, o compromisso não é o meu forte.
Eu batizaria a fase que vivo agora de “eu quero mais é saber de mim”. Sabe aquela sensação de indiferença para as coisas que não tangenciam as minhas prioridades agora? Se não sabem, eu digo, é uma sensação egoísta, mas gostosa. Eu confesso que estou um tanto que decepcionada com os assuntos amorosos. Não falo só pelas minhas experiências “excitantes”, mas falo pelo geral. Acho que a gente se precipita muito e acaba vivendo as coisas antes do tempo. Essa é a hora de alavancar a carreira, estudar, correr atrás do prejuízo e curtir a vida das melhores maneiras possíveis. Querendo ou não, por melhor que seja o namoro, a gente se priva de muita coisa, deixa de aproveitar outras, se submete a uma prisão assumida, aprende a mentir como ninguém (porque não existe fidelidade, mas sim um bom mentiroso!), perde ou camufla a personalidade, gasta anos por alguém que um dia nem falará mais contigo ou mesmo fingirá que não te conhece e a contrapartida quase nunca é o que esperamos. Sem contar que, em minha opinião, um dos piores sentimentos é o arrependimento. E pior ainda é se arrepender do que a gente deixou de fazer...
Nessa odisséia, o que eu quis dizer é que o amor é uma coisa relativa e não o que aparece no final dos folhetins ou romances românticos. Talvez esteja mais para uma visão machadiana das coisas, que por sinal, é a visão realista. Não quero, no entanto, com isso mostrar que sou desiludida ou coisa parecida, mas que a vida me ensinou a amar da minha maneira e cada um deve descobrir a sua. Hoje, já não mais procuro o amor da minha vida, mas me preparo para ser o amor da vida de alguém.
Simone de Sá
Aqui vai a música da Ana Carolina que inspirou o texto:
Mais que isso – Ana Carolina e Chico Cezar
Eu não vou gostar de você porque sua cara é bonita
O amor é mais que isso
O amor talvez seja uma música que eu gostei e botei numa fita
Eu não vou gostar de você porque você acredita
O amor é mais que isso
O amor talvez seja uma coisa que até nem sei se precisa ser dita
Deixa de tolice, veja que eu estou aqui agora
Inteiro, intenso, eterno, pronto pro momento e você cobra
Deixa de bobagem, é claro, certo e belo como eu quero
O corpo, a alma, a calma, o sonho, o gozo, a dor e agora pára
Será que é tão difícil aceitar o amor como é
E deixar que ele vá e nos leve pra todo lugar como aqui
Será melhor deixar essa nuvem passar
E você vai saber de onde vim, aonde vou
E que eu estou aqui!


Simone você escreve maravilhosamente bem, parabens pelo site. Vou adiciona-lo em meus favoritos, e espero poder ver mais textos bem escritos aqui! linda um grande beijo, e se prepare bastante para ser o amor da vida de alguem tá! um grande beijo! boa semana!
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